Banksy - Guerra e Spray

O livro de Banksy, Guerra e Spray
-- uma tradução esforçada do excelente trocadilho no título do original, em
Inglês, Wall and Piece -- é uma boa adição ao repertório de publicações
brasileiras sobre arte de rua em geral e graffiti em particular. Banksy é pop,
e seu trabalho bomba: tem galeristas o representando, teve trabalhos adquiridos
por Brad Pitt, há um documentário feito por ele.
O interesse maior do livro está
em mostrar trabalhos menos conhecidos do artista, revelando facetas da operação
dele que se aproximam de propostas intervencionistas e de procedimentos da arte
contemporânea mais engajada. São trabalhos parecidos com Inserções em Circuitos
Ideológicos, que o brasileiro Cildo Meirelles fez na década de 70, no qual ele
carimbava notas de dinheiro com frases de protesto, devolvendo depois a cédula
à circulação comum.
Há vários trabalhos de Banksy que
vão nessa linha, explorando o campo de possibilidades da intervenção artística
em cenários urbanos. É bacana ver a variedade de coisas que ele já fez, como
ele parece ser um cara inquieto, explorando tudo que está ao seu alcance para
dizer o que pensa: stencil, graffiti, stickers, introdução de trabalhos
alternativos nos museus, uso de objetos do mobiliário urbano (aqueles cones de transito,
fitas de bloqueio de tráfego). A estrutura do livro é muito feliz também: há
pouco texto, pouca explicação, nenhuma teorização, mas está cheio de coisas pra
pensar a respeito do mundo contemporâneo.
Uma coisa que me pareceu notável
foi a ausência de comentários sobre uma das coisas que mais colocam em xeque o
street cred de Banksy, que é a questão entre ele e o grafiteiro King Robbo .
Fora isso, o livro vale a pena: documenta e arquiva o trabalho de um cara
importante, que importa conhecer.
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Banksy – Guerra e Spray Número de Paginas : 240 Título Original : Wall and Piece Autor: Banksy Editrora: Intrínseca
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