quinta-feira, janeiro 24, 2013

ACC – Grafite como redução de danos




A Universidade é formada por três eixos: ensino, pesquisa e extensão.

Hoje abordarei o último eixo, a extensão; trata-se, pois de uma ação da universidade para além dos seus muros, ou seja, para o público externo.  Através da extensão, portanto, tem-se um trabalho articulado com o objetivo de contribuir de alguma forma com a sociedade.

A Atividade Curricular em Comunidade - ACC, assim como o "UFBA em Campo", é uma atividade de extensão, com a particularidade de estar inserida na grade curricular como disciplina optativa. Nesse caso, o aluno é voluntário, opta por participar caso tenha interesse em contribuir com a transformação social.

Ao ter notícia desse programa, entrei em contato, e pude bater um papo com a monitora que está à frente do projeto – Beatriz Viana, estudante de Psicologia. Ela me explicou que a Atividade Curricular em Comunidade - ACC:  "Arte e Redução de danos? O graffiti como instrumento de diálogo com a comunidade" surgiu não por acaso: inicialmente a forma de diálogo com os participantes do projeto era um pequeno jornal, mas, viu-se que a linguagem não contemplava a todos; daí surgiu à ideia de se trabalhar com o grafite, uma linguagem das ruas e que comunica de maneira mais eficiente com o público inserido no programa.  

O foco desse projeto é intervir de forma pacífica, dialogando, orientado usuários de drogas, sejam moradores de rua, profissionais do sexo etc. através da cidadania, que por sua vez, tem o status de saúde, segundo Beatriz – “Ao levarmos cidadania para essas pessoas estamos levando saúde”. Tem-se como resultado a redução de danos. Assim, o que se espera, não é que indivíduo para imediatamente de usar drogas, mas que tenha cada vez mais controle e que possa aos poucos ir reduzindo o seu uso e consequentemente seu dano.

O grafite insere-se no programa de uma forma interessante. Beatriz me informou que a parte técnica, a ação de grafitar, fica por conta de Marcos Costa, Grafiteiro e Arte-Educador, que contratado pelo projeto, tem a missão de expressar os mais variados sentimentos, (relatados pelos sujeitos inseridos no programa - frases ditas por eles sejam para dialogarem entre si ou com as pessoas que passam emitindo juízo de valor sobre eles) através do grafite como aconteceu na última intervenção, que teve a participação do grafiteiro Thito Lama, abaixo dos viadutos do Aquidabã, local onde vivem muitos sujeitos marginalizados; e também onde os grafites gritam.

Confiram alguns registros fotográficos produzidos por Flora Seixas:


O belo trabalho articulado pelo grupo atende ao que se espera de um programa de extensão – utilizar o conhecimento gerado pela universidade seja através da pesquisa ou do ensino, e aplicá-los na sociedade com o objetivo de transformar a realidade social positivamente.


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