ACC – Grafite como redução de danos
A Universidade é
formada por três eixos: ensino, pesquisa e extensão.
Hoje abordarei o último
eixo, a extensão; trata-se, pois de uma ação da universidade para além dos seus
muros, ou seja, para o público externo. Através da extensão, portanto, tem-se um
trabalho articulado com o objetivo de contribuir de alguma forma com a
sociedade.
A Atividade Curricular em Comunidade - ACC, assim como o
"UFBA em Campo", é uma atividade de extensão, com a particularidade
de estar inserida na grade curricular como disciplina optativa. Nesse caso, o
aluno é voluntário, opta por participar caso tenha interesse em contribuir com
a transformação social.
Ao ter notícia desse programa, entrei em contato, e pude
bater um papo com a monitora que está à frente do projeto – Beatriz Viana,
estudante de Psicologia. Ela me explicou que a Atividade Curricular em
Comunidade - ACC: "Arte e Redução de danos? O graffiti como
instrumento de diálogo com a comunidade" surgiu não por acaso:
inicialmente a forma de diálogo com os participantes do projeto era um pequeno
jornal, mas, viu-se que a linguagem não contemplava a todos; daí surgiu à ideia
de se trabalhar com o grafite, uma linguagem das ruas e que comunica de maneira
mais eficiente com o público inserido no programa.
O foco desse projeto é intervir de forma pacífica,
dialogando, orientado usuários de drogas, sejam moradores de rua, profissionais
do sexo etc. através da cidadania, que por sua vez, tem o status de saúde,
segundo Beatriz – “Ao levarmos cidadania para essas pessoas estamos levando
saúde”. Tem-se como resultado a redução de danos. Assim, o que se espera, não é
que indivíduo para imediatamente de usar drogas, mas que tenha cada vez mais controle
e que possa aos poucos ir reduzindo o seu uso e consequentemente seu dano.
O grafite insere-se no programa de uma forma interessante.
Beatriz me informou que a parte técnica, a ação de grafitar, fica por conta de
Marcos Costa, Grafiteiro e Arte-Educador, que contratado pelo projeto, tem a
missão de expressar os mais variados sentimentos, (relatados pelos sujeitos
inseridos no programa - frases ditas por eles sejam para dialogarem entre si ou
com as pessoas que passam emitindo juízo de valor sobre eles) através do
grafite como aconteceu na última intervenção, que teve a participação do
grafiteiro Thito Lama, abaixo dos viadutos do Aquidabã, local onde vivem muitos
sujeitos marginalizados; e também onde os grafites gritam.
Confiram alguns registros fotográficos produzidos por Flora Seixas:
O belo trabalho articulado pelo grupo atende ao que se espera de um
programa de extensão – utilizar o conhecimento gerado pela universidade seja
através da pesquisa ou do ensino, e aplicá-los na sociedade com o objetivo de
transformar a realidade social positivamente.
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