Letramentos de Reexistência – Ana Lúcia Silva Souza
Quando eu comecei a pensar na possibilidade de pesquisar sobre
grafite, eu já tinha certa noção de letramento, havia lido alguns textos de
referências tidas como indispensáveis para o entendimento de tal conceito.
Nomes como o de Magda Soares, Brian Street, Angela Kleiman e Roxane Rojo
entraram rapidamente no meu repertório, mas, na verdade, o ponto de partida, e
digo de inspiração que elevou o meu interesse na busca de compreender o grafite
como uma prática de letramento veio a partir da leitura do livro da professora
Ana Lúcia, carinhosamente conhecida como Ana Lú, doutora em Linguística
Aplicada pela UNICAMP – Instituto de Estudos da Linguagem e Mestre em Ciências
Sociais pela PUC-SP. Atualmente professora da Universidade Federal da Bahia.
Fruto de sua tese, o livro, extremamente didático, faz parte da “Série
Estratégias de Ensino 26”. Dividido em cinco capítulos, o livro é um excelente
exemplo de etnografia urbana.
Desde a capa é possível perceber a intimidade com o movimento
Hip-Hop, o cuidado na produção do objeto livro, perpassa as fontes –
rapidamente identificáveis com o grafite. O objetivo de Ana Lú é caracterizar o
movimento cultural hip-hop como uma agência de letramento e seus ativistas como
agentes. O caminho percorrido pela pesquisadora nos revela a complexidade dos
letramentos envolvidos nas tramas sociais. A interação a partir da linguagem
aponta para sujeitos ativos, que escrevem e se inscrevem como produtores de um
saber, ou seja, os sujeitos reinventam os letramentos da escola e da vida.
É importante destacar que os pesquisados são tidos como colaboradores,
algo que nos remete a empoderamento. Apesar de discorrer sobre todos os
elementos que compõe o movimento Hip-Hop, a autora destaca o RAP como seu
corpus de trabalho, abrindo caminho para novas reflexões – no meu caso, busco
aprofundar o estudo sobre grafite. O livro de Ana Lú é uma boa referência para
quem deseja compreender as práticas sociais da língua escrita e oral, pois
contesta os espaços legitimados e permite novas reflexões acerca do uso da
linguagem na sociedade.
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Letramentos da reexistência. Poesia, grafite, música, dança:
hip-hop. Número de Páginas: 171 Autora: Ana Lúcia Silva Souza Editora:
Parábola.

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