quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Letramentos de Reexistência – Ana Lúcia Silva Souza






Quando eu comecei a pensar na possibilidade de pesquisar sobre grafite, eu já tinha certa noção de letramento, havia lido alguns textos de referências tidas como indispensáveis para o entendimento de tal conceito. Nomes como o de Magda Soares, Brian Street, Angela Kleiman e Roxane Rojo entraram rapidamente no meu repertório, mas, na verdade, o ponto de partida, e digo de inspiração que elevou o meu interesse na busca de compreender o grafite como uma prática de letramento veio a partir da leitura do livro da professora Ana Lúcia, carinhosamente conhecida como Ana Lú, doutora em Linguística Aplicada pela UNICAMP – Instituto de Estudos da Linguagem e Mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP. Atualmente professora da Universidade Federal da Bahia.  Fruto de sua tese, o livro, extremamente didático, faz parte da “Série Estratégias de Ensino 26”. Dividido em cinco capítulos, o livro é um excelente exemplo de etnografia urbana. 

Desde a capa é possível perceber a intimidade com o movimento Hip-Hop, o cuidado na produção do objeto livro, perpassa as fontes – rapidamente identificáveis com o grafite. O objetivo de Ana Lú é caracterizar o movimento cultural hip-hop como uma agência de letramento e seus ativistas como agentes. O caminho percorrido pela pesquisadora nos revela a complexidade dos letramentos envolvidos nas tramas sociais. A interação a partir da linguagem aponta para sujeitos ativos, que escrevem e se inscrevem como produtores de um saber, ou seja, os sujeitos reinventam os letramentos da escola e da vida.  É importante destacar que os pesquisados são tidos como colaboradores, algo que nos remete a empoderamento.  Apesar de discorrer sobre todos os elementos que compõe o movimento Hip-Hop, a autora destaca o RAP como seu corpus de trabalho, abrindo caminho para novas reflexões – no meu caso, busco aprofundar o estudo sobre grafite. O livro de Ana Lú é uma boa referência para quem deseja compreender as práticas sociais da língua escrita e oral, pois contesta os espaços legitimados e permite novas reflexões acerca do uso da linguagem na sociedade.

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Letramentos da reexistência. Poesia, grafite, música, dança: hip-hop.  Número de Páginas: 171 Autora: Ana Lúcia Silva Souza Editora: Parábola.





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