quarta-feira, novembro 06, 2013

Justin Bieber, grafiteiro?


Fotos: Delson Silva e Gabriel Reis/Agnews


Não. Justin Bieber não é grafiteiro.

É preciso começar este texto sendo categórico, porque independente das “travessuras midiáticas” que esse adolescente faz por onde quer que passe, ser grafiteiro não constitui a sua identidade.

Primeiro, é preciso entender que a relação de identidade desse jovem não se estabelece com os grafiteiros, ou seja, não há reconhecimento dos pares. Bieber foi simplesmente rechaçado nas várias comunidades de grafiteiros existentes nas redes sociais, o que demonstra a grande lacuna entre ele e os sujeitos que estão em plena atividade escrevendo grafites pelas grandes metrópoles.

Segundo, o grafite é para Campos, estudioso do tema, uma linguagem codificada, inacessível aos leigos que se deslocam diariamente, de forma apressada, pelas artérias da cidade. Enquanto forma de expressão, assentam numa série de convenções estilísticas, regras de comunicação e preceitos culturais. Acrescento ainda que se trata de uma arte predominantemente marginal, de modo que se realiza, quase sempre, sem autorização prévia. A atividade executada pelo adolescente passa ao largo da preocupação estética, dentro desse contexto, ele se encaixa mesmo como um leigo, alguém cujo código do grafite parece inacessível.

Parte do que é ser grafiteiro, portanto, implica em uma atitude rebelde.  Sair no rolé com escolta policial e seguranças não me parece algo um tanto quanto subversivo, vocês não concordam?

Se forçarmos a barra, podemos dizer que no vocabulário do grafite, Bieber seria um Toy. Àquele sujeito inexperiente que se diz grafiteiro, ridicularizado pela coletividade por não possuir um estilo próprio e “sugar” o grafite alheio. Recuando um pouco mais na história, ele seria mesmo caracterizado na sigla “Toys” que no inglês significa “trouble on your system” e numa tradução literal indica àqueles que têm “problemas em seu esquema”.

Obviamente,  por não se encaixar no esquema, ou melhor nas regras que regem o grafite, a pintura desastrosa feita no muro de São Conrado não sobreviveu sequer um dia:


Foto: André Freitas e Gabriel Reis / AgNews

Um comentário:

  1. O engraçado é como cai por terra a questão do grafite ou bomb quando não autorizado, obviamente seria ilegal, mas, só para mim ou para você, por quê será?!!
    O moleque cercado de monstros e policiais, se achando o Slik2 da favela.
    E foda como o Brasil baixa o cú pra quem é de fora e o pior, quando o mesmo tem dinheiro.

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