Resenha - Cidade Cinza – O filme
O filme dirigido por Marcelo Mesquita e
Guilherme Valiengo é uma boa oportunidade para se refletir sobre a cultura do
grafite no Brasil. Apesar de estar ambientado em São Paulo, conhecida
atualmente como capital do grafite brasileiro, a problemática do filme – a ignorância
das ‘autoridades’ acerca das artes urbanas – está presente não só em são Paulo,
mas em diversas capitais brasileiras. Em Salvador, por exemplo, é comum a
prefeitura apagar grafites em viadutos e nas colunas de sustentação do ‘futuro’
metrô, cobrindo-os de cinza.
É bom lembrar, e isso o filme faz muito bem, que
nós contribuintes é que pagamos pela eliminação das artes nos muros. Será que é
isso mesmo que a sociedade deseja? Ter os seus impostos transformados em
paisagem cinza? O filme nos dá algumas respostas.
Protagonistas do filme, Os Gemeos, Nunca e Nina
são artistas famosos no mundo. No exterior, suas obras são expostas em museus e
galerias. Porém em São Paulo, cidade de origem dos artistas, os seus grafites
são pintados de cinza pela prefeitura. O
mural de 700 metros quadrados, feito pelos artistas e apagado pela prefeitura
(‘acidentalmente’) é o mote que desencadeia as discussões.
Não só esses artistas têm seus grafites
apagados, a arbitrariedade e a pouca ou nenhuma sensibilidade por parte dos
agentes de ‘limpeza’, faz com que diversas manifestações artísticas sejam
apagadas. Ironicamente, o critério subjetivo desses agentes é o estranhamento
(conceito chave para o mundo das Artes).
O filme encerra de maneira brilhante, porque
extrapola a temática do enredo: o grafite. E nos apresenta de forma nua e crua
o cinismo do palco de atuação política.
Quem assiste ao filme Cidade Cinza, sai do cinema, no mínimo, com outros
olhos para as artes de rua.
Aqui em Salvador, o filme está sendo exibido no
Espaço Itaú, sessão às 21h.
Confira o trailer:



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