quarta-feira, dezembro 04, 2013

Resenha - Cidade Cinza – O filme




O filme dirigido por Marcelo Mesquita e Guilherme Valiengo é uma boa oportunidade para se refletir sobre a cultura do grafite no Brasil. Apesar de estar ambientado em São Paulo, conhecida atualmente como capital do grafite brasileiro, a problemática do filme – a ignorância das ‘autoridades’ acerca das artes urbanas – está presente não só em são Paulo, mas em diversas capitais brasileiras. Em Salvador, por exemplo, é comum a prefeitura apagar grafites em viadutos e nas colunas de sustentação do ‘futuro’ metrô, cobrindo-os de cinza.
É bom lembrar, e isso o filme faz muito bem, que nós contribuintes é que pagamos pela eliminação das artes nos muros. Será que é isso mesmo que a sociedade deseja? Ter os seus impostos transformados em paisagem cinza? O filme nos dá algumas respostas.


Protagonistas do filme, Os Gemeos, Nunca e Nina são artistas famosos no mundo. No exterior, suas obras são expostas em museus e galerias. Porém em São Paulo, cidade de origem dos artistas, os seus grafites são pintados de cinza pela prefeitura.  O mural de 700 metros quadrados, feito pelos artistas e apagado pela prefeitura (‘acidentalmente’) é o mote que desencadeia as discussões. 


 Não só esses artistas têm seus grafites apagados, a arbitrariedade e a pouca ou nenhuma sensibilidade por parte dos agentes de ‘limpeza’, faz com que diversas manifestações artísticas sejam apagadas. Ironicamente, o critério subjetivo desses agentes é o estranhamento (conceito chave para o mundo das Artes).  

O filme encerra de maneira brilhante, porque extrapola a temática do enredo: o grafite. E nos apresenta de forma nua e crua o cinismo do palco de atuação política.  Quem assiste ao filme Cidade Cinza, sai do cinema, no mínimo, com outros olhos para  as artes de rua.

Aqui em Salvador, o filme está sendo exibido no Espaço Itaú, sessão às 21h.

Confira o trailer:


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