quarta-feira, março 26, 2014

Grafite Expandido

Costuma-se dizer que o suporte do grafite é o muro. Sem dúvidas, essa é uma afirmação categórica. Mas, será que não podemos encontrar o grafite em outros suportes?

Foto da internet
Esta pergunta provocadora serve para fomentar a leitura do livro do Fabrício Silveira – Grafite Expandido - , no qual, o autor busca compreender a ascensão midiática que o grafite tem ganhado nos últimos anos.

Na orelha do livro, temos a preciosa contribuição do Ricardo Campos, antropólogo dedicado ao estudo do grafite em Lisboa. Segundo Ricardo Campos: “o grafite urbano, uma manifestação estética originalmente ligada à juventude urbana norte-americana, tem vindo a transformar-se, ao longo das cerca de quatro décadas de sua existência, numa expressão cultural planetária.”

Ainda segundo ele, “a globalização desta prática cultural e linguagem pictórica derivou, inevitavelmente, numa multiplicação dos formatos de comunicação em função dos diferentes meios geográficos, sociais e culturais. O grafite foi, por isso, acompanhando as mutações tecnológicas e midiáticas, convivendo de perto com outras áreas da ação comunicante urbana. Daí que o grafite possa ser tido como gramática mutante e permeável, alimentando-se de outros domínios comunicantes.”

Assim, uma implicação do tratamento do grafite na ótica destes pesquisadores é de que, sim: o grafite contemporâneo está muito além dos muros. Os grafiteiros, valendo-se da tecnologia, exploram cada vez mais diferentes suportes.

Um exemplo que trouxemos para ilustrar essa experimentação tecnológica com o grafite é o breve vídeo produzido pelo grafiteiro Core. No vídeo, podemos assistir a mutação de um simples desenho em um belo letrado estilo Bubble:



Reprodução Facebook do Artista

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