quarta-feira, maio 14, 2014

Somos Todos Humanos

No final de abril, muitos de nós assistimos a demonstração racista produzida por um “torcedor” contra o jogador Daniel Alves, durante uma partida do Campeonato Espanhol.  Cansado dessa agressão que dura séculos, mas conhecida aqui no Brasil pelo eufemismo de “violência simbólica”,  Daniel surpreendeu a todos ao comer, de forma espontânea,  uma banana jogada em campo. Até aqui, parece compreensível. Porém, talvez sem perceber a incongruência de seu ato, o jogador Neymar, amigo de Daniel, comentou em uma rede social a frase “somos todos macacos e dai?” [sic]. A partir dessa atitude de Neymar, vimos seu comentário se propagar rapidamente como uma grande campanha nacional.

Primeiramente, é preciso afirmar: Não, não somos todos macacos!

Atentos ao cinismo e a ingenuidade nacional, os movimentos negros se mostraram presentes e ativos contra essa desastrosa campanha.  Na coluna Artigos e Debates da Caros Amigos, AfroPress nos alerta: “É o racismo que recusa a nossa humanidade ao nos negar direitos básicos, a nossa condição humana, iguais na diferença.

No âmbito acadêmico, por exemplo, na Universidade de Brasília, temos Francisca Cordelia Oliveira da Silva, que em seu trabalho de tese para doutoramento, intitulado, A construção social de identidades étnico-raciais: uma análise discursiva do racismo no Brasil, nos afirma: "no Brasil, o discurso de harmonia étnico-racial mascara práticas discursivas e sociais discriminatórias e racistas seculares que constroem identidades subalternas para os negros,"


Portanto, caso os racistas de plantão não se lembrem, faço questão de frisar: Não, não somos macacos. Somos Humanos! O que me leva a publicar o belo painel produzido pelos artistas soteropolitanos With e Blok. Confiram:


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