Somos Todos Humanos
No final de abril, muitos de
nós assistimos a demonstração racista produzida por um “torcedor” contra o
jogador Daniel Alves, durante uma partida do Campeonato Espanhol. Cansado dessa agressão que dura séculos, mas conhecida
aqui no Brasil pelo eufemismo de “violência simbólica”, Daniel surpreendeu a todos ao comer, de forma
espontânea, uma banana jogada em campo.
Até aqui, parece compreensível. Porém, talvez sem perceber a incongruência de
seu ato, o jogador Neymar, amigo de Daniel, comentou em uma rede social a frase
“somos todos macacos e dai?” [sic]. A partir dessa atitude de Neymar, vimos seu
comentário se propagar rapidamente como uma grande campanha nacional.
Primeiramente, é preciso
afirmar: Não, não somos todos macacos!
Atentos ao cinismo e a
ingenuidade nacional, os movimentos negros se mostraram presentes e ativos
contra essa desastrosa campanha. Na
coluna Artigos e Debates da Caros Amigos, AfroPress nos alerta: “É o racismo
que recusa a nossa humanidade ao nos negar direitos básicos, a nossa condição
humana, iguais na diferença.
No âmbito acadêmico, por
exemplo, na Universidade de Brasília, temos Francisca Cordelia Oliveira da
Silva, que em seu trabalho de tese para doutoramento, intitulado, A construção
social de identidades étnico-raciais: uma análise discursiva do racismo no
Brasil, nos afirma: "no Brasil, o discurso de harmonia étnico-racial
mascara práticas discursivas e sociais discriminatórias e racistas seculares
que constroem identidades subalternas para os negros,"
Portanto, caso os racistas de
plantão não se lembrem, faço questão de frisar: Não, não somos macacos. Somos
Humanos! O que me leva a publicar o belo painel produzido pelos artistas
soteropolitanos With e Blok. Confiram:

0 comentários:
Postar um comentário