Arte de Rua no Centro Histórico de Salvador
Em julho do ano passado, o Canal Assembleia, através da reportagem de Claudia Meneses, divulgou um vídeo
em que mostrava o trabalho da Crew Nova10Ordem, no Centro Histórico de
Salvador.
Como revela a reportagem, a
história da Bahia pode ser contada através dos grafites expostos na rua, a
partir dos muros e fachadas da cidade. Achei
muito bacana essa afirmação e tendo a concordar. Afinal, como já escrevi aqui
anteriormente, a potencialidade do grafite, linguagem da rua, pode ser vista para
além do fazer artístico, como um instrumento de comunicação.
Embora a reportagem tenha se
detido nas áreas do Centro Histórico de Salvador, nós, cidadãos leitores da
cidade, podemos reconhecer, também, as mais diversas intervenções urbanas registradas
por toda a capital baiana. No meu entendimento, essa breve reportagem nos
mostra, mesmo sem talvez perceber, o quanto a Cultura Escrita, pois o grafite é
uma manifestação dessa cultura (cheia de códigos visuais e verbais), está
inserida em nosso cotidiano.
Nesse sentido, se por um lado,
o grafite pode ser compreendido como uma exposição a céu aberto, — que nesse caso foi realizada por um grupo de grafiteiros e
que fez parte do projeto de requalificação do Pelourinho; por outro lado, não se
pode ignorar o fato de que a prática do grafite é plural, e, por isso, comporta
inúmeras vozes. São essas vozes,
codificadas no texto multissemiótico do grafite, inscrito nos muros e fachadas da cidade, que fazem
ecoar a existência de sujeitos históricos ativos e em constante participação
nos espaços urbanos.
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