quarta-feira, novembro 18, 2015

The Warriors

Fonte: Wikipedia


Na semanada passada, meu ex-orientador e grande amigo, o professor Dr. Antonio Marcos Pereira, me recomendou assistir ao filme The Warriors, do diretor Walter Hill.
Baseado no livro homônimo de Sol Yurick, o filme norte-americano, lançado em 1979, traz a seguinte sinopse: "A história é sobre uma gangue de Nova Iorque que é perseguida após ser acusada injustamente do assassinato de Cyrus, o lider da maior gangue da cidade."
Portanto, ambientado na Nova Iorque do final da década de 70, e tendo como protagonistas os rebeldes jovens daquela época, o filme nos traz um panorama riquíssimo de grafites. Como uma escrita onipresente, o filme revela uma cidade bombardeada pelo grafite.
É interessante notar como o anseio de "tomar" simbolicamente a cidade se mistura com essa prática de escrita. Em determinado momento, um personagem tira da sacola uma lata de spray e demarca sua passagem registrando no muro a inicial de sua gangue, o "W", de Warrios (Guerreiros).
 Como sabemos, o grafite se apresenta como uma escrita que mistura vários elementos, letras e imagens, com os objetivos mais diversos. Mas, também como se sabe, o grafite como conhecemos hoje, com seus letrados e tags peculiares, advém lá dos guetos nova-iorquinos. Na época, era usado basicamente por gangues que demarcavam seus territórios, ou seja, cada gangue era "dona" de um pedaço da cidade. Isso fica evidente em The Warrios, que no Brasil recebe o título de Os Selvagens da Noite.
Aqui no Brasil, ainda é possível verificar o uso do grafite para demarcar territórios de áreas administradas por traficantes. Códigos e símbolos são escritos nos muros com latas de spray com intuito de informar a quem pertence aquele espaço.  Porém, se por um lado, ainda temos essa demarcação territorial que vai além da apropriação simbólica e evidencia a violência e a segregação de espaços; por outro lado, temos também um grafite muito transformado, que ao incorporar a cultura local e a subjetividade dos sujeitos, ganha o status de arte, vai além dos muros, e insere-se em galerias do Brasil afora. 

As Crews brasileiras, hoje, atravessam cidades e países com suas escritas urbanas. Se antes eram reduzidas a "delinquentes juvenis", agora são vistas, muito mais, como coletivos de artistas urbanos. 

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