quarta-feira, setembro 14, 2016

Edição textual nos muros

Para quem se envolve com os estudos linguísticos, na perspectiva histórica, como no meu caso que desenvolvo pesquisa sobre a história da cultura escrita, a edição de textos é uma discussão inevitável. Muitos dos meus colegas, por exemplo, têm como objetivos de pesquisa a edição de textos antigos (do século XVI, XVII etc.). E, como aprendemos nas disciplinas de Metodologia de pesquisa e de Metodologias da Linguística histórica, as edições variam conforme o interesse, podendo ser crítica, diplomática, semidiplomática e crítico-genética.

Nessa perspectiva, ou seja, no modo de análise da história da cultura escrita, cada registro de um texto, seja verbal ou não verbal, independente de seu suporte, se constitui em um testemunho. Talvez seja importante ressaltar que os interesses em se pesquisar os escritos sempre se deram pelos textos vinculados ao poder, portanto, escritos produzidos por “gente importante” e em suportes tradicionais (pergaminho, papel etc.).


Toda essa breve introdução foi para comentar uma matéria divulgada no portal b9, na qual observei uma edição “inusitada”. O artista francês Mathieu Tremblin passou a editar os graffiti (erroneamente chamados de pixo na matéria) para torná-los legíveis para o grande público. Nesse sentido, o artista passou a eliminar as dificuldades de natureza paleográfica próprias das tags. Ora, é justamente essa a premissa utilizada nas Edição diplomático-interpretativa. Confiram as “edições” intervenções produzidas por Tremblin:













Confiram mais do trabalho desenvolvido por Tremblin no portal b9: CLIQUE AQUI.

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