Edição textual nos muros
Para quem se envolve com os
estudos linguísticos, na perspectiva histórica, como no meu caso que desenvolvo
pesquisa sobre a história da cultura escrita, a edição de textos é uma
discussão inevitável. Muitos dos meus colegas, por exemplo, têm como objetivos
de pesquisa a edição de textos antigos (do século XVI, XVII etc.). E, como
aprendemos nas disciplinas de Metodologia de pesquisa e de Metodologias da
Linguística histórica, as edições variam conforme o interesse, podendo ser crítica,
diplomática, semidiplomática e crítico-genética.
Nessa perspectiva, ou seja, no
modo de análise da história da cultura escrita, cada registro de um texto, seja
verbal ou não verbal, independente de seu suporte, se constitui em um
testemunho. Talvez seja importante ressaltar que os interesses em se pesquisar
os escritos sempre se deram pelos textos vinculados ao poder, portanto,
escritos produzidos por “gente importante” e em suportes tradicionais
(pergaminho, papel etc.).
Toda essa breve introdução foi
para comentar uma matéria divulgada no portal b9, na qual observei uma edição “inusitada”.
O artista francês Mathieu Tremblin passou a editar os graffiti (erroneamente
chamados de pixo na matéria) para torná-los legíveis para o grande público.
Nesse sentido, o artista passou a eliminar as dificuldades de natureza
paleográfica próprias das tags. Ora, é justamente essa a premissa utilizada nas
Edição diplomático-interpretativa. Confiram as “edições” intervenções
produzidas por Tremblin:
Confiram mais do trabalho desenvolvido por Tremblin no portal b9: CLIQUE AQUI.






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