quarta-feira, junho 12, 2013

Trap Boys ou Meninos Armadilha de Salvador




Hoje compartilho aqui um pequeno vídeo da ação dos “Trap Boys” de Salvador.  Isto serve, primeiro, para desmistificar a ideia genérica de que grafite é algo “bonitinho” feito para burguês ou galerias – quadros e museus - , que tem o objetivo final do lucro, o que não me parece de todo verdade. É preciso entender que os sujeitos ativos em nossa sociedade são históricos primordialmente, logo, constroem caminhos diferentes e se expressam (mesmo que seja pela arte do grafite ou da pichação) de modos diferentes. Eu aprecio um Bomb nervoso pelos suportes que a cidade oferece gosto também de outros estilos de grafite, assim como também valorizo a atitude dos pichadores, principalmente quando transcende sua comunicação íntima para escrachar frases de efeito para a o público em geral.

Quem escreve quer se lido, o grafite e a pichação são escritas urbanas, sendo a primeira multissemiótica.  Desde que essas expressões chegaram por aqui parece que há certo antagonismo desnecessário.  É bom lembrar, por exemplo, que em outros países tudo é grafite, desde uma Tag (uma espécie de assinatura) até o mais complexo Wild Style.  Não dá, portanto, para diferenciar grafite e pichação pela facilidade ou dificuldade de ler tais fenômenos nas ruas.  Assim como ser pichador exige atitude, ser grafiteiro também exige. Assim como o pichador tira o dinheiro do suor do seu trabalho para colocar na rua sua expressão sem retorno financeiro, o mesmo acontece com muitos grafiteiros, só que estes, acabam por ter um gasto maior pela necessidade de sua prática. Ao final de ambas as produções, o que se tem são inscrições nas ruas para os transeuntes tentarem decifrar, ou seja, ler o que está a disposição na malha urbana da cidade.


 Portanto, fica aqui uma pergunta, quem são os meninos armadilha de Salvador?  E para ajudar na reflexão, seguem mais dois vídeos:





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