Trap Boys ou Meninos Armadilha de Salvador
Hoje compartilho aqui um pequeno vídeo da ação dos “Trap
Boys” de Salvador. Isto serve, primeiro,
para desmistificar a ideia genérica de que grafite é algo “bonitinho” feito
para burguês ou galerias – quadros e museus - , que tem o objetivo final do lucro,
o que não me parece de todo verdade. É preciso entender que os sujeitos ativos
em nossa sociedade são históricos primordialmente, logo, constroem caminhos
diferentes e se expressam (mesmo que seja pela arte do grafite ou da pichação)
de modos diferentes. Eu aprecio um Bomb nervoso pelos suportes que a cidade oferece
gosto também de outros estilos de grafite, assim como também valorizo a atitude
dos pichadores, principalmente quando transcende sua comunicação íntima para
escrachar frases de efeito para a o público em geral.
Quem escreve quer se lido, o grafite e a pichação são
escritas urbanas, sendo a primeira multissemiótica. Desde que essas expressões chegaram por aqui
parece que há certo antagonismo desnecessário.
É bom lembrar, por exemplo, que em outros países tudo é grafite, desde
uma Tag (uma espécie de assinatura) até o mais complexo Wild Style. Não dá, portanto, para diferenciar grafite e
pichação pela facilidade ou dificuldade de ler tais fenômenos nas ruas. Assim como ser pichador exige atitude, ser
grafiteiro também exige. Assim como o pichador tira o dinheiro do suor do seu
trabalho para colocar na rua sua expressão sem retorno financeiro, o mesmo
acontece com muitos grafiteiros, só que estes, acabam por ter um gasto maior
pela necessidade de sua prática. Ao final de ambas as produções, o que se tem
são inscrições nas ruas para os transeuntes tentarem decifrar, ou seja, ler o que
está a disposição na malha urbana da cidade.
Portanto, fica aqui uma pergunta, quem são os meninos armadilha de Salvador? E para ajudar na reflexão, seguem mais dois vídeos:
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