quarta-feira, agosto 14, 2013

Reportagem no jornal Bahia Meio Dia sobre Grafite (E a dicotomia genérica entre Grafite X Pichação)

(Fonte: G1.globo.com)

Na sexta-feira passada, dia 09 de agosto, o jornal “Bahia Meio Dia” exibiu uma matéria, na qual mostrou o trabalho do grafiteiro DenisSena, morador do Cabula. Na reportagem, o grafiteiro executa uma intervenção e fala um pouco de arte; também na reportagem, o trabalho realizado pela Crew Nova10Ordem que gerencia o MUSAS (Museu de Street Art de Salvador) ganha visibilidade. 

Apesar da linha tênue entre pichação e grafite, a reportagem enfatiza a dicotomia entre essas expressões e eleva o grafite (na reportagem só aparecem basicamente personagens grafitados) em detrimento da pichação, colocando essa última expressão como menor, ou seja, simples vandalismo. Sobre essa questão, a professora de História da Arte da Escola de Música e Belas Artes do Paraná, Elisabeth Seraphim Prosser, afirma em seu artigo - INTERVENÇÃO URBANA: VANDALISMO OU ARTE?:


“O picho e o graffiti são ainda considerados por grande parte das pessoas como vandalismo e delinquência juvenil. Porém, um exame mais acurado dessas manifestações revela que seus autores são, na maioria, bastante politizados, têm reais preocupações sociais e educativas e assumem posturas de construção da cidade e da cidadania. Encaram a intervenção urbana como uma arte genuína e como instrumento de mudança de uma realidade que os assusta.(PROSSER,  2006, p. 2)”.


Investigando a questão da “escrita urbana” a partir da antropologia, na cidade de Curitiba, Munhoz (2003), descrevendo um pouco da cena do graffiti na cidade aponta também para algumas semelhanças entre o graffiti e a pixação, mostrando, através dos relatos dos jovens “escritores” do graffiti, como ela os define, que para eles próprios, a aproximação entre o graffiti e a pixação é muito maior do que o afastamento, e que eles próprios consideram ambos, graffiti e pixação, na grande maioria das vezes como a mesma coisa, partes da mesma prática. Considerando o graffiti como uma expressão de artistas acadêmicos ou de artistas da periferia, ou seja, “essencialmente uma arte de rua, que necessita do suporte da cidade para existir (MUNHOZ  apud LEAL, 2009, p.36)


É importante lembrar que tanto o grafite quanto a pichação fazem uso de tipologias que fogem à norma dos grafemas alfabéticos, de modo que tanto um letrado em grafite, no estilo Wild Style, por exemplo, quanto uma inscrição tida como pichação, podem tornar-se ilegíveis, incompreensíveis ao olhar pouco atento dos códigos que regem essas expressões. Por isso, não acredito que seja a presença maciça da escrita monocromática seguida de traços “incompreensíveis” que tornarão a pichação vandalismo e o colorido do grafite Arte. Na matéria, o que parece ser o juízo de valor é simplesmente o julgamento estético feito pelos repórteres. Quando o transeunte ganha voz é possível perceber que a dicotomia apresentada pela reportagem é desmontada e torna-se contraditória a partir do discurso de sujeitos historicamente diferentes.


 Compreender amplamente essas manifestações presentes na malha urbana da cidade exige uma investigação científica. Questões complexas como essa necessitam, sem dúvidas, de um olhar etnograficamente treinado. 

Um comentário:

  1. essa materia so nos prejudicou pois eles nao nos perguntaram sobre o assunto e na sequencia falaram mal nao so da pixação mais do graffiti bomb tambem, e ainda disse que nos estavamos salvando as comunidades marginais e com trafico de droga ous seja daqui a pouco eu nao vou mais poder entrar em um bairro pra pintar pois alem de pensarem que eu sou contra pixador vao pensar que sou inimigo do trafico ou coisa parecida, globo sempre colocando nosso povo um contra o outro

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